Publicado em 27/07/2018 às 16h32

Cidades

Policiais militares de Senador Canedo vão a júri popular por homicídio

Agentes públicos serão julgados pela morte de duas pessoas após operação policial em novembro de 2017

Foto: Reprodução

Dois policiais militares vão a júri popular após a morte de duas pessoas em abordagem, no dia 25 de novembro de 2017, em Senador Canedo. O juiz da 2ª Vara de Senador Canedo, Thúlio Marco Miranda, entende que houve alteração da cena do crime e que os agentes públicos não seguiram os procedimentos da Polícia Militar.

Os policias Gilmar Alves dos Santos e Paulo Márcio Tavares são acusados pelo homicídio de Marco Antônio Pereira de Brito, de 17 anos, durante uma abordagem policial. Paulo Márcio vai responder, também, pela morte do auxiliar de produção, Tiago Ribeiro Messias, de 31 anos, que estava na situação de sequestrado.

No dia 25 de novembro de 2017, Marco Antônio assaltou uma chácara e levou Tiago como refém dentro de um carro. Os dois policiais perseguiram o veículo. Na operação policial, o assaltante e o refém foram mortos.

A denúncia alega que os policiais acusados pelos crimes alteraram a cena para forjar uma troca de tiros. Segundo a perícia técnica, não foram efetuados disparos por Marco Antônio.

O juiz alega que os indícios apontam que ambos os acusados, em uma abordagem falha, sem obedecer aos procedimentos operacionais padrões da instituição a que pertencem, efetuaram conduta que culminou na morte das vítimas. Ele diz ainda que o laudo de análise das imagens mostra ainda que os policiais saíram da viatura e dispararam tiros contra o veículo.

Para o juiz, a conduta perpetrada pelos acusados, ao que tudo indica, foi aparentemente excessiva, não encontrando respaldo nas normas que regem a própria instituição militar. “Após verificar que teriam acertado as vítimas, o acusado Gilmar tentou alterar a cena do crime, forjando uma possível situação de troca de tiros quando, na verdade, sequer houve disparos da arma encontrada com a vítima Marco Antônio”, afirma o magistrado.