Publicado em 01/07/2016 às 9h36

Política

ENTREVISTA – MARCOS ABRÃO

“Nós teremos candidato em Senador Canedo”

Presidente estadual do PPS, o deputado federal Marcos Abrão

Presidente estadual do PPS, o deputado federal Marcos Abrão é categórico em afirmar que o presidente da Câmara de Senador Canedo, Roberto Lopes, será candidato a prefeito da cidade. O parlamentar reforça os laços com o PSB da senadora Lúcia Vânia, mas assinala que o partido assumirá as consequências da decisão em Senador Canedo – inclusive mantém conversa com Vanderlan Cardoso para evitar qualquer estremecimento entre os dois partidos.
Marcos Abrão reforça o perfil positivo de Roberto Lopes, conhece a realidade da cidade e é respeitado. Em entrevista ao O Pouso Alto, o presidente do PPS detalha a preparação do partido para a eleição de outubro e também fala de sua atuação e projetos na Câmara Federal. Confira a entrevista:

Luciano Henrique Joka

Jornal Expresso – Como o senhor tem trabalhado para estruturar o PPS em Goiás?
Marcos Abrão – Nós estamos estruturando todos os diretórios e comissões provisórias nos municípios, incentivando estas executivas a terem autonomia para lançar candidatos e realizar alianças políticas. Já estamos em quase 200 municípios goianos e uma das características é que cada diretório ou comissão tem realidade definida por seus membros, pessoas que são moradores e conhecem as características e problemas das cidades. Esta é uma das nossas bandeiras, o municipalismo, e pretendemos estreitar esta relação, valorizar as nossas lideranças locais, pois só elas sabem o que é melhor para cada município.

Jornal Expresso – Já há previsão de quantos candidatos a prefeito o PPS pretende lançar em Goiás?
Nós temos a previsão de lançar entre 40 e 50 candidatos em todo o Estado e na Região Metropolitana de Goiânia, e até agora, só em Senador Canedo. Como nós começamos este trabalho de fortalecimento depois das eleições de 2014, não estamos preocupados com a quantidade e sim com a qualidade das pessoas que irão dirigir o PPS nos municípios.

Jornal Expresso – Nos municípios em que o PPS não lançará candidato, qual tem sido a prioridade das alianças?
Nós temos um diálogo muito forte, a começar por Goiânia, com o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Isso, claro, também tem a ver com a minha relação, até de parentesco, com a Senadora Lúcia Vânia, que é minha tia. Então há um entendimento que o PSB é prioridade para as nossas alianças, onde não temos candidaturas próprias.

Jornal Expresso – E na prática como funciona esta aliança entre o PPS e o PSB?
É uma parceria de respeito mútuo, onde não existe imposição. E sim, um acordo, que onde tiver candidatos dos dois partidos, prevalecerá aquele que tiver melhores condições de vencer as eleições, com critérios claros e definidos no início da pré-campanha, em que um apoiará o outro. A nossa intenção é fortalecer o grupo político, esta aliança, mas sempre dar voz a pessoas que terão oportunidade de nos ouvir e falar o que pensam sobre o processo político.

Jornal Expresso – E no caso de Senador Canedo em que os partidos têm potencial para lançar candidatos. Cada partido exercerá o seu protagonismo?
Claro. Senador Canedo tem suas peculiaridades. Eu tenho todo cuidado, carinho e respeito por Senador Canedo. Primeiro porque é uma cidade que conheço bem, quando fui presidente do Goiás Industrial, levei o polo moveleiro, com indústrias de alta tecnologia de móveis para lá. E também comecei o processo de regularização fundiária na cidade, já na Agehab. Temos conversado muito com o ex-prefeito, Vanderlan Cardoso, com quem tenho um bom relacionamento, para não parecer que estamos querendo agredir, passar por cima da liderança que ele exerce no município e também para não interferir na aliança que já temos consolidada em Goiânia. Lá tem um pré-candidato deles, mas trabalho com o cenário que possam chegar ao entendimento de estar junto conosco apoiando o candidato do nosso partido, o Vereador e Presidente da Câmara Roberto Lopes. Nós teremos candidato em Senador Canedo e vamos assumir as consequências juntos,o diretório estadual com o municipal.

Jornal Expresso – O PPS filiou o presidente da Câmara Municipal de Senador Canedo, Roberto Lopes. Qual o diferencial dele? Ele é o pré-candidato do partido?
Foi lançado como nosso pré-candidato, que já inaugurou a nossa sede e que servirá de base de apoio inicialmente ao nosso indicado a prefeitura. O diferencial do Roberto Lopes é que mora, e vive a realidade de Senador Canedo. É respeitado pela sociedade, pelo empresariado, uma das grandes prioridades do PPS no Estado e conta com o apoio de todo o diretório nacional e do presidente do PPS, Roberto Freire.
Além do mais Roberto Lopes é o autor e foi condutor de inúmeros projetos de relevância para o Município, quando Secretário nas gestões de Vanderlan e do Dr. Túlio Sérvio, portanto merece a oportunidade de ser Prefeito de Senador Canedo, já provou que é capaz e que muito fará pela cidade e sua gente.

O grupo político com a senadora Lúcia Vânia e o ex-prefeito Vanderlan Cardoso poderá apresentar uma alternativa de poder no Estado em 2018?
Nós temos condições perfeitamente de ter um candidato a governador. Claro, que o PPS faz parte de uma aliança que elegeu o governador Marconi Perillo. Não significa que estaremos juntos em 2018, vou caminhar com o que for definido por nosso grupo político. Por enquanto, cada partido estará fazendo o seu trabalho, preocupado em fortalecer os diretórios nos municípios. O PPS começará agora em maio a fazer encontros regionais no Estado.

Jornal Expresso – E em Brasília, qual tem sido o foco do trabalho, quais as principais pautas que o senhor defende?
Tenho me destacado com trabalho muito forte na área de moradia popular e regularização fundiária. Mas tenho projetos em diversas áreas, como na defesa do consumidor com o aumento do prazo de garantia dos produtos importados. Na área da saúde, com o projeto que obriga os grandes hospitais a terem interpretes na área de Língua Brasileira de Sinais (Libras), na educação com abatimento no imposto de renda para professores adquirirem materiais didáticos.

Jornal Expresso – O senhor foi escolhido para presidir uma Comissão na Câmara dos Deputados?
Sim, fui escolhido pela bancada do meu partido para presidir a Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra). O meu trabalho terá condições de ajudar e debater grandes temas, como o papel das ferrovias, rodovias e hidrovias no desenvolvimento do país, das Superintendências, como a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Jornal Expresso – Como o senhor vê o impeachment da presidente Dilma e qual será o papel do PPS num eventual governo de Michel Temer?
Não é um processo que queria fazer parte. Interromper um mandato de um presidente, não é piada, e sim, algo muito sério. O que aconteceu em 2014 é que o brasileiro foi ludibriado. Votei sim, pelo impedimento da presidente e disse que ninguém tem direito de frustrar os sonhos das pessoas. Além da questão da admissibilidade, na minha opinião o PT brincou com sonhos dos brasileiros. Nós precisamos agora ter responsabilidade com o país. A direção nacional do PPS vai ajudar o novo governo, não sei se será parte, mas vamos apoiar no parlamento para que o viabilize.